Comemorando a chegada da primavera e a ascensão do Atlético Goianiense para a série A do Brasileirão, a banda mineira Djalma não entende de política faz show do álbum “Apesar da crise”, no dia 30 de outubro, na Funarte, em Belo Horizonte.

O show integra a programação do evento Funarte Musical, que traz no mês de setembro artistas como Gilvan de Azevedo e Sérgio Pererê para celebrar a diversidade da música produzida em Minas Gerais. Na categoria Funarte Plural, o Djalma figura entre “grupos da cena independente e contemporânea; grupos independentes; artistas que se apresentam no espaço urbano; músicos que rompem com as classificações e ‘regras’ de estilo; e coletivos e projetos de ‘multilinguagem’”, de acordo com o site da instituição.

A classificação agradou a banda, que normalmente tem dificuldade de se autodefinir. “Até tentamos nos enquadrar em estilos consagrados, mas nunca conseguimos usar o hardsamba progressivo como palavra-chave”, explica o guitarrista e compositor Carlos Bolívia. “É um problema semiótico, que pela ética consequencialista acaba esbarrando no marketing e na indexação dos mecanismos de pesquisa”.

Os músicos se mostram bastante satisfeitos em ocupar a Funarte, espaço emblemático nas manifestações contrárias ao desmonte do Ministério da Cultura, no ano passado. “Vamos tocar uma versão de ‘Sai pra lá, capeta’ especialmente dedicada ao despresidente Fora Temer”, adianta a percussionista Carol Abreu. Sobre os recentes episódios de censura envolvendo o MBL e a bancada evangélica, a banda afirma que faz questão de manter no repertório canções-ícone do atentado à moral e aos bons costumes, como “A DP da DP” e “Pedro II Afonso Pena”.

Djalma não entende de política

Nos bailes da vida desde 2011, a banda fundadora do gênero hard samba progressivo pós-Wagneriano é um double power trio, ou um power sexteto – dependendo da corrente matemática. Em 2014, o Djalma lançou seu primeiro registro fonográfico, o EP da DP, com cinco faixas. O disco recebeu boas críticas, entrou na lista da Agência Tarja Preta como um dos dez discos mineiros de 2014 e fez com que o grupo fosse, segundo o jornal Estado de Minas, uma das promessas da cena independente mineira. No ano de 2015, a faixa que deu nome ao EP ganhou clipe, com a direção do premiado cineasta Gabriel Martins.

O álbum “Apesar da crise” foi lançado no fim do ano passado, graças à mobilização de mais de duzentas pessoas em uma campanha de financiamento coletivo. Em uma mistura de ritmos e experimentações, o disco consolida três anos de trabalho da banda, em composições de samba, cumbia, frevo, rock e boas doses de deboche e crítica.